Imprimindo uma HQ
a relação da quadrinista com a produção gráfica
A Graphic MSP Marina - Expressão foi para a gráfica!
Imagem: Lance
E a partir de agora começo a retomar outros projetos que estavam suspensos! Como por exemplo a minha série Lookinhos, em que eu desenho os looks favoritos dos meus amigos:
Modelos: Dani Marino, Pedro Vó e Line Lemos
Mas voltando à gráfica, infelizmente não consegui ver a prova de impressão da Marina ao vivo porque fiquei doente. Pelo menos vi por vídeo e parece que as cores ficaram belíssimas.
E quero aproveitar essa fase do processo para falar um pouco sobre produção gráfica nos quadrinhos! Vou usar um livro em que trabalhei para dar exemplos de erros e acertos.
CORES DA IMPRESSORA X CORES DA HQ
Como muitos já sabem, toda impressora possui quatro tintas de base (ciano, magenta, amarelo e preto – o famoso CMYK) e todas as cores que vemos no impresso são a mistura dessas quatro primárias (exceto quando são acrescentadas cores especiais).
O que muita gente não sabe é que quando misturamos tintas, o resultado é sempre uma cor mais escura. A cor impressa já é mais escura do que a cor vista na tela do computador ou celular. E quanto mais tinta acrescentamos, mais escuro o resultado. Então, ao colorir uma HQ que vai ser impressa, nós artistas precisamos tomar o cuidado de escolher cores que não percam seu brilho na impressão.
BALÕES DE FALA
O texto dos balões de fala precisa estar em apenas uma cor, sem misturar com outras tintas. Porque é comum haver um leve desalinhamento na impressão que na ilustração pode passar despercebido, mas no texto prejudica muito a leitura.
Exemplo de texto com desalinhamento — Quincas Borba em Quadrinhos (FTD Educação) - Verônica Berta e Luiz Antonio Aguiar
CAPA E MIOLO
Entregamos para a gráfica dois arquivos diferentes – um para a capa e outro para o miolo – já que possuem tamanhos e tipos de papel diferentes. Depois é feita a montagem do livro.
Falei um pouco mais sobre capas nessa outra news aqui: Capas!
TIPO DE PAPEL
Existem muitos tipos de papel, mas eles se dividem basicamente em dois grupos: papéis porosos (o mais comum é o offset) e lisos (o mais comum é o couché). Cada um tem suas vantagens e desvantagens e precisamos tomar cuidados nos ajustes das cores em função dessa escolha também. Um papel poroso, por exemplo, chupa muita tinta e, se não regularmos as cores corretamente, podemos perder as nuances de tom.
À esquerda, ilustração digital vista na tela. À direita, ilustração impressa em papel offset. — Quincas Borba em Quadrinhos (FTD Educação) - Verônica Berta e Luiz Antonio Aguiar
REFILE E ENCADERNAÇÃO
O livro passa por várias etapas de acabamento e nós artistas temos que levar todas em consideração para a composição das páginas. Já que o miolo vai ser refilado (bordas cortadas na guilhotina), temos que fazer sangria e margens de segurança. E já que o livro vai ser encadernado, não podemos deixar elementos importantes nas margens internas, porque podem sumir para dentro. Etc.
Graças à margem de segurança, não houve problema de leitura nas partes próximas à dobra do livro. — Quincas Borba em Quadrinhos (FTD Educação) - Verônica Berta e Luiz Antonio Aguiar
Outra curiosidade é que a encadernação nos obriga a fazer sempre livros com uma quantidade de páginas múltipla de quatro, porque uma folha de papel dobrada rende quatro páginas.
OUTROS ACABAMENTOS
Laminação na capa, verniz, hot stamping, capa dura ou mole, com ou sem orelhas, escolha do tipo de encadernação… tudo isso vai fazer toda a diferença no resultado final do livro!
Então é para a gente valorizar muito um quadrinho que tenha sido feito com todos esses cuidados. São esses detalhes que deixam ele com aquela carinha de profissional.
💛
Obrigada por ler e espero que tenha sido útil!
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